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Assen: de palco do MotoGP a alternativa para a F1? Como o circuito neerlandês se prepara para o futuro dos Grandes Prémios

Assen: de palco do MotoGP a alternativa para a F1? Como o circuito neerlandês se prepara para o futuro dos Grandes Prémios

por Simone Scanu

5 min de leitura

O calendário da Fórmula 1 está a passar por uma transformação significativa. Após seis anos a acolher o Grande Prémio dos Países Baixos, o Circuito de Zandvoort despedir-se-á da modalidade em 2026, com a corrida final a ser também um evento de sprint. Esta decisão marca a conclusão de uma parceria que parecia sustentável, especialmente dado o apoio fervoroso dos adeptos e o domínio contínuo de Max Verstappen no seu circuito caseiro. No entanto, as realidades financeiras forçaram um ajuste difícil, e o Autódromo Internacional do Algarve, em Portugal, assumirá a tradicional vaga de verão a partir de 2027.

A partida deixou os intervenientes do desporto motorizado neerlandês em busca de soluções. Embora o TT Circuit Assen tenha inicialmente descartado as especulações sobre uma potencial candidatura de resgate, o local adotou, desde então, uma abordagem decididamente diferente — centrada numa preparação cuidadosa em vez de um compromisso apressado.

O posicionamento estratégico de Assen: mais do que mera especulação

Ao contrário das negações imediatas que caracterizaram as discussões anteriores, o TT Circuit Assen tem vindo a estudar sistematicamente os requisitos para uma licença de Grau 1 da FIA desde setembro. Isto não é apenas especulação; representa um planeamento concreto de infraestruturas concebido para posicionar o local como uma alternativa viável caso a Fórmula 1 regresse aos Países Baixos.

O diretor do circuito, Mark van Aalderen, articulou a visão com um pragmatismo ponderado: "Queremos estar prontos quando surgir uma candidatura concreta para acolher um Grande Prémio em Assen." Crucialmente, enfatizou que Assen operaria a partir de uma posição de apoio estrutural, em vez de um fardo promocional. "Se isso acontecesse, atuaríamos apenas como facilitadores, não como organizadores ou financiadores."

Esta distinção é significativa. Ao contrário das dificuldades financeiras de Zandvoort — que alegadamente resultaram de um apoio estatal insuficiente e do aumento dos custos de organização — Assen está a evitar estrategicamente o papel de promotor principal, posicionando-se, em vez disso, como um fornecedor de infraestruturas.

Requisitos técnicos: um caminho viável

O principal obstáculo continua a ser a conformidade de segurança e a certificação operacional. Van Aalderen indicou que as modificações necessárias seriam provavelmente limitadas em escala, focando-se predominantemente na infraestrutura de segurança em vez de alterações no traçado do circuito. "Por agora, parece que envolverá principalmente mudanças relacionadas com a segurança", observou, acrescentando que "não se espera que o traçado do circuito em si exija modificações".

Isto representa uma vantagem significativa sobre outros potenciais locais. A infraestrutura existente em Assen — incluindo bancadas com capacidade para mais de 50.000 espetadores — já oferece uma base sobre a qual construir. A história do circuito como palco do MotoGP garante que os sistemas fundamentais cumprem as normas internacionais de desporto motorizado, reduzindo a necessidade de uma remodelação abrangente que seria exigida em instalações menos desenvolvidas.

Contexto histórico: lições de 2018

O posicionamento atual de Assen não é sem precedentes. O circuito já tinha procurado o estatuto de Grau 1 da FIA em 2018, quando foi submetido a uma inspeção formal da FIA. No entanto, o processo acabou por favorecer o Circuito de Zandvoort, que garantiu a vaga do Grande Prémio dos Países Baixos iniciada em 2021. Este contexto histórico acrescenta profundidade à situação atual — Assen não está a perseguir um objetivo inteiramente novo, mas sim a regressar a uma meta previamente traçada com uma estratégia refinada e condições de mercado diferentes.

Os anos que se seguiram foram instrutivos. As dificuldades financeiras de Zandvoort sublinham os desafios de acolher eventos modernos de Fórmula 1, particularmente em mercados onde o financiamento governamental é insuficiente e a receita de bilheteira, por si só, não consegue sustentar os custos operacionais.

O conceito de local de reserva: uma alternativa pragmática

Além da perspetiva de acolher uma vaga permanente no Grande Prémio, o antigo presidente de Zandvoort, Jim Vermeulen, defendeu um posicionamento alternativo: Assen deve registar-se como um local de reserva na Fórmula 1. Esta proposta tem mérito prático, especialmente dadas as crescentes complexidades de agendamento da Fórmula 1 e as contingências relacionadas com o clima.

"Eles precisam de fazer saber a todos que, se necessário, podem organizar um Grande Prémio num prazo de quatro a seis semanas", sugeriu Vermeulen. Tal capacidade de mobilização rápida proporcionaria à Fórmula 1 uma segurança geográfica e logística, particularmente num contexto europeu onde circunstâncias imprevistas podem exigir a substituição de um local.

Conclusão: a preparação encontra a oportunidade

A abordagem ponderada de Assen reflete uma verdadeira sofisticação estratégica. Em vez de fazer propostas especulativas ou descartar a oportunidade de imediato, o circuito está a preparar metodicamente as infraestruturas e certificações, evitando explicitamente os fardos promocionais e financeiros que minaram a sustentabilidade de Zandvoort. Se este posicionamento resultará numa vaga permanente no Grande Prémio, numa designação de local de reserva, ou em nenhuma das duas, permanece incerto — mas Assen sinalizou claramente a sua prontidão para quaisquer oportunidades que o cenário pós-Zandvoort apresente.

Simone Scanu

Simone Scanu

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.

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