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John Owen deixa cargo de designer-chefe da Mercedes após quase duas décadas

John Owen deixa cargo de designer-chefe da Mercedes após quase duas décadas

por Simone Scanu

4 min de leitura

A Mercedes confirmou que John Owen, o veterano designer-chefe que projetou a era mais bem-sucedida das Flechas de Prata, deixará o cargo de diretor de design de carros ao longo da temporada de 2026. O anúncio marca o fim de um capítulo extraordinário para a equipe sediada em Brackley, à medida que o engenheiro britânico — que moldou quase todos os carros campeões da Mercedes desde 2014 — faz uma pausa merecida das exigências implacáveis da Fórmula 1.

A decisão de Owen de renunciar ocorre em um momento crítico para a Mercedes, enquanto o esporte se prepara para a próxima grande reformulação regulatória em 2026. Sua saída verá o cargo ser preenchido por meio de promoção interna, com Giacomo Tortora, atual diretor de engenharia da equipe, assumindo a posição de diretor de design de carros, enquanto Simone Resta, diretor técnico adjunto, supervisionará este grupo crucial.

Um legado escrito no sucesso de Silverstone

A magnitude da contribuição de Owen para o domínio sem precedentes da Mercedes não pode ser subestimada. Desde que se juntou à operação da Honda em Brackley em 2007 como aerodinamicista principal, Owen foi fundamental na conquista de oito títulos de construtores entre 2014 e 2021 e sete campeonatos de pilotos de 2014 a 2020. Ao longo de seus dezenove anos na organização, ele supervisionou o design de todos os 17 carros de F1 da Mercedes, incluindo o W17 de 2026, estabelecendo-se como uma das mentes técnicas mais influentes do esporte.

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O currículo de engenharia de Owen remonta a antes de sua passagem pela Mercedes. Tendo trabalhado anteriormente na Sauber como aerodinamicista sênior, ele mudou-se para a Honda em 2007, onde contribuiu para os esforços competitivos da equipe. Notavelmente, ele permaneceu na organização durante sua transformação na Brawn GP, a equipe campeã de 2009 que protagonizou uma das maiores histórias de superação da Fórmula 1. Quando a Mercedes adquiriu as instalações de Brackley, a experiência de Owen provou ser inestimável, sendo nomeado designer-chefe em 2010, cargo que ocupou por dezesseis anos.

Uma das conquistas técnicas mais celebradas de Owen foi seu papel integral na criação do sistema Dual-Axis Steering (DAS), que proporcionou à Mercedes uma vantagem competitiva significativa durante sua fase de desenvolvimento. Essa inovação exemplificou a abordagem de Owen ao design de carros: inovadora, meticulosa e sempre desafiando os limites do que era tecnicamente permitido dentro dos regulamentos.

Transição e o caminho a seguir

De acordo com a Mercedes, Owen tomou a decisão consciente de se afastar da intensidade da Fórmula 1 e ajudará na transição de seu sucessor antes de iniciar seu período de licença remunerada (gardening leave) no final de 2026. O comunicado oficial da equipe refletiu o respeito e a gratidão pelo engenheiro que se despede: "Desejamos a John tudo de melhor para o futuro e agradecemos a ele pelo papel considerável que desempenhou no sucesso da equipe."

A promoção interna de Tortora e a expansão das responsabilidades de Resta representam a confiança da Mercedes no desenvolvimento de talentos internos — uma estratégia que definiu grande parte da cultura recente da equipe. No entanto, substituir alguém com a estatura e o conhecimento institucional de Owen apresenta um desafio real para as Flechas de Prata durante um período de transição técnica e competitiva significativa.

O panorama geral

A saída de Owen ressalta a natureza cíclica da liderança técnica da Fórmula 1. À medida que o esporte embarca em uma nova era de parcerias de unidades de potência e regulamentos de chassi em 2026, a velha guarda de designers que construiu a dinastia da Mercedes está gradualmente abrindo caminho para uma nova geração. Enquanto a Mercedes enfrenta uma competição cada vez mais acirrada de rivais como Aston Martin e McLaren, a partida de uma figura tão central levanta questões importantes sobre se a equipe conseguirá manter sua vantagem inovadora sem a mão orientadora de Owen.

Para Owen, após quase duas décadas no auge da engenharia do automobilismo, a oportunidade de se afastar antes do próximo ciclo regulatório representa tanto uma conclusão natural quanto uma chance de refletir sobre uma carreira incomparável. Seu legado perdurará através dos carros que criou e da filosofia de engenharia que instilou no departamento técnico da Mercedes.

Simone Scanu

Simone Scanu

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.

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