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Lewis Hamilton elogia as produtivas 121 voltas da Ferrari no primeiro dia de testes em Barcelona

Lewis Hamilton elogia as produtivas 121 voltas da Ferrari no primeiro dia de testes em Barcelona

por Simone Scanu

4 min de leitura

O primeiro dia de testes de pré-temporada da Ferrari para a Fórmula 1 de 2026 foi “muito desafiante” por causa da chuva, mas ainda assim trouxe sinais promissores: Lewis Hamilton e Charles Leclerc somaram 121 voltas, apesar das condições traiçoeiras. O shakedown em Barcelona marcou o início da maior revolução técnica da Fórmula 1 desde a introdução das unidades de potência turbo-híbridas, em 2014, e a Ferrari atravessou o dia sem grandes problemas de fiabilidade — prova da preparação meticulosa em Maranello.

A Scuderia optou estrategicamente por saltar o primeiro dia do teste fechado de cinco dias e estreou o SF-26 na terça-feira, juntando-se apenas à Red Bull em pista, enquanto as outras equipas evitaram a precipitação prevista para a tarde. No entanto, a chuva chegou mais cedo do que o esperado, complicando a sessão vespertina quando Hamilton assumiu o volante após o turno matinal de Leclerc.

Maximizar oportunidades em condições difíceis

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“Hoje foi muito desafiante, obviamente, porque começou a chover às 10:30, por isso o Charles ainda conseguiu fazer um pouco de rodagem em seco, mas depois esteve molhado a tarde toda, então foi perceber como fazer os pneus funcionarem”, contou Hamilton após o seu turno. Apesar da precipitação e de uma interrupção com bandeira vermelha, o heptacampeão manteve-se otimista quanto à produtividade do dia.

“Foi mesmo produtivo, acho que fizemos cerca de 120 voltas ou algo assim; tendo em conta que foi em condições de chuva e tivemos uma bandeira vermelha e tudo isso, acho que é bastante sólido”, explicou. Para uma equipa que apresenta um carro totalmente novo sob regulamentos revolucionários, a ausência de grandes falhas mecânicas representou um feito importante. “Por isso, estou muito orgulhoso de toda a gente na fábrica por ter levado o carro até este ponto, e hoje recolhemos muita informação sobre o carro.”

Compreender a revolução técnica de 2026

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Os regulamentos de 2026 representam a transformação técnica mais profunda que Hamilton viu em 19 anos de carreira. O novo SF-26 traz aerodinâmica ativa e uma divisão de potência próxima de 50:50 entre o motor de combustão e os sistemas híbridos elétricos, exigindo estratégias de gestão de energia sem precedentes, tanto de pilotos como de engenheiros.

Hamilton sublinhou a dimensão destas mudanças: “Tive o privilégio de estar aqui há muito tempo, 19 anos, por isso já passei por muitos carros diferentes. Muitas mudanças de regulamento, mas esta é a maior que eu notei.”

A comparação com 2014 foi elucidativa: aquela mudança regulamentar trouxe problemas de fiabilidade generalizados em todo o pelotão. Em contraste, a estreia sem sobressaltos da Ferrari em Barcelona — apesar de a chuva limitar a avaliação de performance — colocou a Scuderia numa posição favorável para entrar nesta nova era.

Primeiras impressões e foco estratégico

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A chuva impediu Hamilton de avaliar plenamente as características aerodinâmicas e do conjunto motriz do SF-26, embora as primeiras sensações tenham sido encorajadoras. “Há definitivamente pontos positivos”, observou, destacando a menor carga aerodinâmica face às especificações de 2025 e, sobretudo, a ausência de porpoising — um problema persistente que afetou a Mercedes e outras equipas em 2022.

Charles Leclerc partilhou este otimismo cauteloso após a sua sessão matinal, na qual completou 64 voltas com foco na verificação de sistemas, e não no desempenho. “Não são as melhores condições porque choveu um pouco esta manhã, mas, na verdade, fizemos o nosso programa na mesma, porque não estamos minimamente focados em performance. Estamos mais a olhar para todos os sistemas que são novos neste carro e a ver se tudo funciona como deve.”

O panorama competitivo que se avizinha

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Hamilton reconheceu que os regulamentos de 2026 nivelam significativamente o campo competitivo. “É extremamente desafiante para toda a gente, para todas as equipas, o que acho ótimo. Coloca toda a gente em desvantagem. Toda a gente vai ter de estar alerta e aprender à medida que avança.” Esta “democratização” da corrida ao desenvolvimento significa que a Ferrari, apesar das suas vantagens históricas, não pode assumir automaticamente uma posição de força.

Os dias seguintes de testes iriam concentrar-se em análise dinâmica, avaliação da suspensão, distribuição de carga aerodinâmica e uma avaliação extensa dos modos de recarga, boost e ultrapassagem do conjunto motriz. Com apenas três dias de rodagem permitidos dentro da janela de cinco dias de testes, a Ferrari precisa de maximizar cada volta para estabelecer bases competitivas antes dos testes oficiais de pré-temporada no Bahrein, no próximo mês.

Para Hamilton e para a Scuderia, esta terça-feira chuvosa não foi um revés, mas sim uma base produtiva para o enorme desafio que se aproxima — e um lembrete de que, mesmo nas condições mais imprevisíveis, uma preparação rigorosa e uma execução focada podem gerar progressos significativos.

Simone Scanu

Simone Scanu

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.

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