
Lewis Hamilton elogia as produtivas 121 voltas da Ferrari no primeiro dia de testes em Barcelona
por Simone Scanu
O primeiro dia de testes de pré-temporada da Ferrari para a Fórmula 1 de 2026 foi “muito desafiante” por causa da chuva, mas ainda assim trouxe sinais promissores: Lewis Hamilton e Charles Leclerc somaram 121 voltas, apesar das condições traiçoeiras. O shakedown em Barcelona marcou o início da maior revolução técnica da Fórmula 1 desde a introdução das unidades de potência turbo-híbridas, em 2014, e a Ferrari atravessou o dia sem grandes problemas de fiabilidade — prova da preparação meticulosa em Maranello.
A Scuderia optou estrategicamente por saltar o primeiro dia do teste fechado de cinco dias e estreou o SF-26 na terça-feira, juntando-se apenas à Red Bull em pista, enquanto as outras equipas evitaram a precipitação prevista para a tarde. No entanto, a chuva chegou mais cedo do que o esperado, complicando a sessão vespertina quando Hamilton assumiu o volante após o turno matinal de Leclerc.
Maximizar oportunidades em condições difíceis

“Hoje foi muito desafiante, obviamente, porque começou a chover às 10:30, por isso o Charles ainda conseguiu fazer um pouco de rodagem em seco, mas depois esteve molhado a tarde toda, então foi perceber como fazer os pneus funcionarem”, contou Hamilton após o seu turno. Apesar da precipitação e de uma interrupção com bandeira vermelha, o heptacampeão manteve-se otimista quanto à produtividade do dia.
“Foi mesmo produtivo, acho que fizemos cerca de 120 voltas ou algo assim; tendo em conta que foi em condições de chuva e tivemos uma bandeira vermelha e tudo isso, acho que é bastante sólido”, explicou. Para uma equipa que apresenta um carro totalmente novo sob regulamentos revolucionários, a ausência de grandes falhas mecânicas representou um feito importante. “Por isso, estou muito orgulhoso de toda a gente na fábrica por ter levado o carro até este ponto, e hoje recolhemos muita informação sobre o carro.”
Compreender a revolução técnica de 2026

Os regulamentos de 2026 representam a transformação técnica mais profunda que Hamilton viu em 19 anos de carreira. O novo SF-26 traz aerodinâmica ativa e uma divisão de potência próxima de 50:50 entre o motor de combustão e os sistemas híbridos elétricos, exigindo estratégias de gestão de energia sem precedentes, tanto de pilotos como de engenheiros.
Hamilton sublinhou a dimensão destas mudanças: “Tive o privilégio de estar aqui há muito tempo, 19 anos, por isso já passei por muitos carros diferentes. Muitas mudanças de regulamento, mas esta é a maior que eu notei.”
A comparação com 2014 foi elucidativa: aquela mudança regulamentar trouxe problemas de fiabilidade generalizados em todo o pelotão. Em contraste, a estreia sem sobressaltos da Ferrari em Barcelona — apesar de a chuva limitar a avaliação de performance — colocou a Scuderia numa posição favorável para entrar nesta nova era.
Primeiras impressões e foco estratégico
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A chuva impediu Hamilton de avaliar plenamente as características aerodinâmicas e do conjunto motriz do SF-26, embora as primeiras sensações tenham sido encorajadoras. “Há definitivamente pontos positivos”, observou, destacando a menor carga aerodinâmica face às especificações de 2025 e, sobretudo, a ausência de porpoising — um problema persistente que afetou a Mercedes e outras equipas em 2022.
Charles Leclerc partilhou este otimismo cauteloso após a sua sessão matinal, na qual completou 64 voltas com foco na verificação de sistemas, e não no desempenho. “Não são as melhores condições porque choveu um pouco esta manhã, mas, na verdade, fizemos o nosso programa na mesma, porque não estamos minimamente focados em performance. Estamos mais a olhar para todos os sistemas que são novos neste carro e a ver se tudo funciona como deve.”
O panorama competitivo que se avizinha

Hamilton reconheceu que os regulamentos de 2026 nivelam significativamente o campo competitivo. “É extremamente desafiante para toda a gente, para todas as equipas, o que acho ótimo. Coloca toda a gente em desvantagem. Toda a gente vai ter de estar alerta e aprender à medida que avança.” Esta “democratização” da corrida ao desenvolvimento significa que a Ferrari, apesar das suas vantagens históricas, não pode assumir automaticamente uma posição de força.
Os dias seguintes de testes iriam concentrar-se em análise dinâmica, avaliação da suspensão, distribuição de carga aerodinâmica e uma avaliação extensa dos modos de recarga, boost e ultrapassagem do conjunto motriz. Com apenas três dias de rodagem permitidos dentro da janela de cinco dias de testes, a Ferrari precisa de maximizar cada volta para estabelecer bases competitivas antes dos testes oficiais de pré-temporada no Bahrein, no próximo mês.
Para Hamilton e para a Scuderia, esta terça-feira chuvosa não foi um revés, mas sim uma base produtiva para o enorme desafio que se aproxima — e um lembrete de que, mesmo nas condições mais imprevisíveis, uma preparação rigorosa e uma execução focada podem gerar progressos significativos.

Simone Scanu
Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.

