
A carregar

Quando Esteban Ocon se juntou à Haas para a temporada de 2025, após a sua saída da Alpine, as expectativas eram, compreensivelmente, elevadas. O experiente piloto francês, com uma década de Fórmula 1 e várias vitórias no currículo, era visto como o homem certo para liderar o esforço da equipa. Em vez disso, a sua época de estreia na estrutura americana trouxe uma realidade dura: foi superado em pontos pelo colega estreante Oliver Bearman, terminando o ano com 38 pontos contra 41 de Bearman. Ainda mais marcante, o vencedor de 17 Grandes Prémios viu-se batido em qualificação pelo jovem britânico por 14 a 10 nos duelos diretos.
Os números desenhavam um quadro desconfortável, mas eram apenas o sintoma de problemas mais profundos que marcaram o ano de Ocon na Haas. O chefe de equipa Ayao Komatsu não poupou palavras ao abordar o desempenho do seu piloto, afirmando com frustração e franqueza: "Se olharmos apenas para o resultado desportivo, sem entrar em detalhes, claro que ninguém está satisfeito com o resultado desportivo do Esteban no ano passado, certo? Ele é colega de equipa de um rookie. Sim, um rookie incrível, mas, ainda assim, ele tem 10 anos de F1. É vencedor de corridas, já foi ao pódio. Por isso, esperávamos mais dele."

Importa sublinhar que Komatsu não chegou ao ponto de colocar toda a culpa nos ombros de Ocon. Pelo contrário, o responsável da Haas atribuiu o fraco rendimento a uma divisão 50/50 entre responsabilidades do piloto e da equipa. Ao longo da temporada, Ocon queixou-se de forma consistente das características de comportamento do carro, em particular do desempenho na travagem, que, segundo ele, não se alinhava com o seu estilo de condução. As dificuldades em pistas como Baku exemplificaram essa tensão — enquanto Bearman brilhou no circuito citadino, Ocon ficou "a milhas" do ritmo em qualificação, uma discrepância que Komatsu reconheceu, mas que não conseguiu justificar por completo.
"Por vezes é a equipa, não conseguimos dar-lhe o carro com que ele se sentisse confortável, especialmente em qualificação", explicou Komatsu. "E depois, em alguns circuitos, isso ficou muito mais exagerado do que noutros."
No entanto, o problema de fundo esteve na incapacidade da equipa em diagnosticar e resolver estas questões com rapidez. Komatsu refletiu: "Não há uma única razão — não é só o piloto, não é só a equipa, e cada caso é diferente. E é essa a parte em que sinto que nós — todos juntos, equipa e piloto — não fizemos muito bem no ano passado, porque eu realmente senti que devíamos ter conseguido controlar isso mais depressa."
O Grande Prémio de Abu Dhabi de 2025 foi o microcosmo perfeito da temporada turbulenta de Ocon. Na sexta-feira, o piloto de 28 anos estava tão longe do ritmo — cerca de quatro décimos atrás de Bearman — que desabafou à Canal+: "Senti-me como um rookie que nunca conduziu um carro de F1. Há muita instabilidade. Sinto que já não consigo conduzir, já não consigo juntar uma volta. Tem sido ingovernável há muitas corridas."

Mas no sábado, tudo mudou. Ocon qualificou-se à frente do colega e, no domingo, garantiu um sétimo lugar depois de arrancar de oitavo na grelha, mostrando o talento bruto que lhe valeu o contrato com a Haas. Esta reviravolta dramática ilustrou aquilo que mais frustrava Komatsu: a capacidade de Ocon era inegável, mas extraí-la de forma consistente continuava a ser difícil.
"Se olharmos para Abu Dhabi, aquilo que ele consegue fazer no sábado e no domingo, depois de uma sexta-feira muito fraca, esse é o talento que ele tem, essa é a capacidade que ele tem", afirmou Komatsu. "E nós temos de aproveitar isso, temos de garantir que usamos isso, porque precisamos mesmo de dois pilotos este ano."
Apesar da campanha dececionante, Komatsu mostrou otimismo quanto às perspetivas de Ocon para 2026. O chefe de equipa destacou a abordagem mais madura do piloto durante o teste de shakedown em Barcelona, sugerindo que as conversas na pré-temporada ajudaram a criar um melhor entendimento entre piloto e equipa. "Ele percebe quem nós somos em termos de dimensão da equipa, dos recursos e de como precisamos de definir prioridades", observou Komatsu, acrescentando que esperava "uma contribuição maior" de Ocon na próxima temporada.
Com Ocon e Bearman a manterem a parceria na Haas, a questão passa agora por saber se as lições tiradas da desilusão de 2025 podem desencadear uma melhoria real — e se Ocon conseguirá recuperar a forma que o tornou uma contratação tão apelativa em primeiro lugar.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.