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O chefe da Ferrari, Fred Vasseur, acredita que a equipe pode receber uma oportunidade crucial para atualizar sua unidade de potência ainda nesta temporada, por meio do mecanismo de Oportunidades Adicionais de Projeto e Atualização (ADUO) da Fórmula 1.
Embora a Ferrari tenha surgido como a principal adversária da Mercedes na fase inicial da campanha de 2026, a equipe de Maranello não tem ilusões quanto à dimensão do desafio pela frente. A desvantagem, estimada em cerca de meio segundo, continua significativa — e eliminá-la exigirá avanços tanto no chassi quanto no motor.
Sob os regulamentos de 2026, os projetos das unidades de potência estão amplamente homologados, congelando efetivamente as especificações principais. No entanto, a F1 introduziu o sistema ADUO para evitar uma divergência de desempenho a longo prazo entre os fabricantes.
O sistema funciona com base em um limite percentual. Se a unidade de potência de um fabricante for considerada mais de 2% inferior à referência após seis corridas, será permitida uma atualização ainda na temporada e outra para 2027. Se a diferença atingir 4%, serão autorizadas duas atualizações durante a temporada — além de outras duas para o ano seguinte.
Fundamentalmente, a avaliação da FIA não se baseia na comparação de tempos de volta. Em vez disso, utiliza um Índice de Desempenho do ICE independente, projetado para avaliar o motor de forma isolada. As métricas específicas permanecem confidenciais, mas espera-se que as medições se concentrem em potência e características energéticas independentes da influência do chassi.
Essa distinção é importante.
À primeira vista, a Ferrari parece próxima da Mercedes. No Grande Prêmio da China, a diferença entre a pole position de Kimi Antonelli, com 1m32.064s, e a melhor volta de Lewis Hamilton com a Ferrari, de 1m32.415s, foi de apenas 0,381%. No entanto, essa margem estreita não reflete necessariamente o cenário real da unidade de potência.
Apesar da competitividade demonstrada na pista, Vasseur acredita que o motor da Ferrari apresenta deficiências suficientes para potencialmente enquadrar-se nos critérios do ADUO.
“Não estou convencido de que a nova regra da taxa de compressão será um divisor de águas, uma mudança enorme”, afirmou Vasseur. “A questão é que em determinado momento teremos o ADUO, e a possibilidade de utilizá-lo será uma oportunidade para reduzirmos a diferença.”

As análises de desempenho das duas primeiras etapas destacaram características distintas entre os dois principais conjuntos.
A Ferrari mostrou força nas largadas e parece ter vantagem nas curvas. A Mercedes, por outro lado, demonstrou clara superioridade em potência e velocidade máxima.
Essa desvantagem em reta é central no foco de desenvolvimento da Ferrari.
Se a equipe conseguir extrair mais potência e reduzir as perdas nas retas, poderá explorar com mais eficiência seus pontos fortes em tração e contorno de curvas.
“Eu preferiria ser um pouco mais rápido”, admitiu Vasseur após o Grande Prêmio da China. “Sabemos que temos um déficit de desempenho principalmente nas retas e precisamos trabalhar nisso.”
Ainda assim, o chefe da Ferrari evita dar ênfase excessiva a apenas uma área de desenvolvimento.
“Não quero fazer essa divisão [entre chassi e unidade de potência]”, disse ele. *“Quero evoluir em todas as frentes, mas sabemos que precisamos melhorar o ICE.
“Mas isso ficará para depois do ADUO — na parte de energia, no chassi, na aerodinâmica. Estamos trabalhando intensamente em cada área para reduzir a diferença.”
A primeira janela do ADUO está prevista para abrir após seis corridas. Originalmente, esse marco seria alcançado no Grande Prêmio de Miami. No entanto, o cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita alterou o cronograma, o que significa que a marca de seis corridas agora será atingida no Grande Prêmio de Mônaco, em junho.
A FIA estaria considerando ajustes para manter a intenção original do calendário, embora ainda não esteja claro se isso envolverá a definição de uma data fixa ou a revisão do critério baseado no número de corridas.
Para os fabricantes que buscam desempenho — incluindo a parceira Honda da Aston Martin — um acesso antecipado seria preferível.
“Claro, quanto antes pudermos fazer melhorias, melhor”, afirmou o diretor de operações de pista da Aston Martin, Mike Krack, após o Grande Prêmio da China.
Para a Ferrari, o mecanismo do ADUO pode representar mais do que uma simples nota regulatória. Se o índice de desempenho da FIA confirmar uma defasagem suficiente, poderá oferecer a oportunidade na qual Vasseur aposta — e uma alavanca vital na luta para colocar a Mercedes novamente ao alcance.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.
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