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A fase inicial da temporada de Fórmula 1 de 2026 tem trazido poucos motivos de entusiasmo para a Aston Martin na tabela de resultados. No entanto, por detrás de mais um fim de semana duro no Grande Prémio da China, a equipa de Silverstone garante que estão a ser dados passos significativos.
Pela segunda corrida consecutiva, Fernando Alonso e Lance Stroll não viram a bandeira de xadrez, agravando um arranque de época muito aquém das expectativas. Ainda assim, internamente, existe a convicção de que há evolução — mesmo que ela não seja visível para quem está de fora.
Após apenas uma hora de treinos livres, o foco mudou rapidamente para a primeira corrida Sprint da temporada. Alonso e Stroll alinharam em P18 e P19, respetivamente, para a prova de 19 voltas, cada um ganhando uma posição até à bandeirada final numa exibição modesta, mas sem incidentes.
A qualificação para o Grande Prémio, porém, evidenciou a dimensão do desafio da Aston Martin. Alonso garantiu P19, enquanto Stroll ficou em P21, com o espanhol a mais de três segundos da referência estabelecida pelo pole position e vencedor da corrida, Kimi Antonelli.
O dia de corrida não trouxe alívio. A tarde de Stroll terminou na volta 9, após sair em direção à escapatória na Curva 1, provocando o único Safety Car da corrida. Alonso resistiu até à volta 32 antes de regressar às boxes. Tal como em Melbourne, a equipa saiu sem qualquer piloto classificado.

Com a chegada de Adrian Newey no início de 2025, a expectativa em torno da campanha de 2026 da Aston Martin era elevada. A temporada introduziu alterações técnicas profundas, incluindo novos regulamentos de chassis e unidades motrizes, e era amplamente esperado que a equipa tirasse partido desse novo ciclo.
Em vez disso, a realidade tem sido difícil de digerir.
Desde os testes de pré-temporada que o carro parece estar atrás dos rivais em termos de desenvolvimento e, mais preocupante ainda, a fiabilidade tem surgido como uma fragilidade persistente. A parceira de motores Honda, de regresso à Fórmula 1, tem enfrentado dificuldades para extrair desempenho e durabilidade. Vibrações significativas têm provocado problemas estruturais, agravando os desafios da equipa.
Ambos os pilotos foram diretos nas análises pós-corrida, identificando a fiabilidade e a performance como prioridades imediatas antes da próxima ronda no Japão.
Stroll explicou a natureza súbita do seu abandono:
"Entrei na Curva 1 e simplesmente tudo se desligou. Não sei qual foi o problema, se foi motor, bateria, algo eletrónico, não tenho a certeza."
E acrescentou:
"Sabemos quais são os problemas que temos, por isso precisamos de continuar a trabalhar neles. Tentar melhorar o carro no Japão, [melhorar] o motor e continuar à procura de desempenho noutras áreas."
Alonso, por sua vez, destacou o agravamento das vibrações durante a corrida:
"Foi difícil. Hoje encontrámos mais vibrações do que em qualquer outra sessão do fim de semana, por isso fisicamente não consegui continuar por muito mais tempo."
A mensagem de ambos os lados da garagem é clara: os problemas são conhecidos — mas ainda não estão resolvidos.

Apesar da imagem negativa de mais um duplo abandono, a liderança da Aston Martin insiste que há progressos a acontecer longe dos holofotes. O Chief Trackside Officer, Mike Krack, sublinhou a importância do tempo em pista durante o fim de semana em Xangai.
"Provavelmente estariam a rir-se se eu dissesse que fizemos progressos, porque hoje não pareceu um grande avanço," admitiu.
Ainda assim, do ponto de vista da engenharia, os dados contam uma história mais complexa.
"Se olharmos, por exemplo, nunca tínhamos feito tantas voltas. Na parte da energia, é algo que penso que todas as equipas confirmarão. Descobrem-se coisas novas quando se roda sozinho, mas também quando se roda no meio dos outros."
Krack destacou as lições aprendidas em situações de tráfego — na partida, nos recomeços e após as paragens nas boxes — bem como a identificação de problemas até então desconhecidos.
"Encontram-se falhas. Encontram-se situações em que pensamos: ‘porque é que isto aconteceu agora?’ Trabalhamos nisso e depois percebemos que foi este tipo de configuração ou esta parte do regulamento que provocou a situação. E isso fica para a próxima vez."
De forma crucial, frisou que estas aprendizagens vão além dos sistemas de energia. Uma nova geração de pneus, com comportamentos distintos, acrescenta outra camada de complexidade.
"Se ficarmos na garagem, nunca vamos descobrir."

Visto de fora, o arranque da campanha de 2026 da Aston Martin é profundamente preocupante — sem ritmo, afetado por vibrações e com sérios problemas de fiabilidade. Internamente, porém, cada volta é encarada como um investimento na recuperação.
Resta saber se o conhecimento acumulado se traduzirá em ganhos concretos de performance. Para já, a prioridade é simples: rodar, aprender e estabilizar um pacote que ainda não conseguiu corresponder à promessa inicial.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.
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