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Pierre Gasly emitiu um aviso severo antes do Grande Prémio do Canadá, sugerindo que a chuva poderá transformar a corrida de domingo num exercício de sobrevivência, com vários pilotos a levantarem sérias preocupações sobre o desempenho dos atuais pneus de chuva da Fórmula 1.
Mesmo em piso seco, o Circuit Gilles Villeneuve apresenta um desafio invulgar de aquecimento dos pneus. A sua natureza predominantemente de "para-arranca" significa que os pneus sofrem cargas sustentadas relativamente baixas nas curvas, enquanto as temperaturas mais baixas da pista agravam o problema. Durante o fim de semana do GP do Canadá, os pilotos sentiram a necessidade de uma segunda volta de aquecimento apenas para colocar a borracha na janela operacional correta — um sinal de quão exigente é o circuito na preparação dos pneus, mesmo quando as condições são favoráveis.
Com a previsão de chuva para o Grande Prémio e temperaturas que deverão descer até aos 11°C, a situação torna-se significativamente mais complicada. Os pilotos também têm manifestado preocupação sobre uma questão mais fundamental: os novos pneus de chuva da Pirelli são simplesmente demasiado duros, tornando ainda mais difícil gerar o calor necessário para que funcionem eficazmente.
Gasly, que obteve experiência em primeira mão com os pneus de chuva quando a Alpine participou num teste da Pirelli em Magny-Cours, em França, não poupou na sua avaliação sobre o que poderá acontecer.
"Penso que a pista por si só, em seco, já é difícil para aquecer os pneus. Por isso, acho que à chuva será extremamente difícil", explicou Gasly. "Pelo que experimentei, isso resultará numa corrida bastante movimentada. Por isso, penso que será importante ver a bandeira de xadrez. Não quero dizer muito, mas espero condições bastante difíceis se estiver a chover."
O piloto da Alpine foi mais longe, sugerindo o caos que poderá ocorrer: "Não me surpreenderia se acabássemos por ter uma espécie de jogo de eliminação. Posso estar enganado. Apenas experimentei em Magny-Cours e foi uma pequena surpresa. Vamos ver o que acontece."
Carlos Sainz detalhou os problemas específicos que Gasly encontrou em Magny-Cours, observando que o francês tinha relatado que os intermédios e os de chuva não atingiam a sua janela operacional, juntamente com o aquaplaning — uma descoberta particularmente alarmante, dadas as condições previstas em Montreal para o dia da corrida. Esta preocupação não é exclusiva de Gasly e Sainz; Oscar Piastri também apontou um "grande elemento de desconhecido" no GP do Canadá, acrescentando preocupações sobre as unidades de potência de nova geração à chuva ao cenário já preocupante pintado pelo desempenho dos pneus de chuva.
Lewis Hamilton trouxe uma dimensão adicional ao debate, baseando-se na sua própria experiência de teste com os compostos de chuva e intermédios da Pirelli para 2026 no circuito de Fiorano, da Ferrari. Os pneus foram originalmente concebidos para operar sem mantas térmicas, mas Hamilton diz que a falta de desempenho o levou a pressionar tanto a Pirelli como a FIA para que voltassem a ser utilizadas.
"Em última análise, tiveram de construir um pneu que funcionasse com essas mantas baixas e os pneus não funcionam. Por isso, estamos constantemente a lutar com pneus que não funcionam", disse Hamilton.
A sua defesa deu alguns resultados — a utilização de mantas térmicas foi reintroduzida após a sua intervenção e foi posteriormente alargada aos compostos de chuva extrema. Mas Hamilton manteve-se realista sobre quanto terreno ainda precisa de ser coberto.
"Desde o meu teste, pressionei-os para aumentar a temperatura das mantas. Eles fizeram-no. E, a partir do teste, pressionei-os para adicionar as mantas aos pneus de chuva extrema, o que fizeram. Mas isso ainda não é suficiente, ainda há muito trabalho a fazer."
O estreante Isack Hadjar também deu o seu veredito, caracteristicamente direto. Tendo experimentado o pneu de chuva durante o shakedown em Barcelona — uma sessão que terminou com um acidente depois de ter mudado para intermédios em condições de piso húmido — Hadjar foi crítico quanto à sua prontidão para a corrida, afirmando categoricamente que "não foram feitos para uma corrida com outros 21 pilotos."
No conjunto, o coro de insatisfação dos pilotos pinta um cenário preocupante para o dia da corrida em Montreal. Se a chuva chegar conforme previsto, o Grande Prémio do Canadá de domingo poderá testar não apenas a habilidade dos pilotos, mas os próprios limites de um equipamento que muitos na grelha já consideram inadequado para as condições que estão prestes a enfrentar.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.
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