Kimi Antonelli vence o Grande Prémio da China de 2026 e torna-se o segundo mais jovem vencedor da F1

Kimi Antonelli protagonizou uma exibição de afirmação no Grande Prémio da China de 2026, convertendo a pole position numa impressionante primeira vitória e tornando-se o segundo mais jovem vencedor de um Grande Prémio na história da Fórmula 1. Logo na segunda ronda da temporada, o piloto de 19 anos da Mercedes dominou o caos, a gestão de pneus e a pressão interna da equipa para liderar todas as voltas que realmente importaram no Circuito Internacional de Xangai.
Atrás dele, George Russell garantiu a dobradinha da Mercedes, enquanto Lewis Hamilton conquistou o seu primeiro pódio num Grande Prémio pela Ferrari, em terceiro, após um duelo intenso com Charles Leclerc.

Antonelli mantém a calma após drama na partida
Partindo da pole, Antonelli sabia que o arranque seria crucial depois de saídas menos conseguidas ao longo do fim de semana. Inicialmente, perdeu posição para Hamilton, que contornou por fora na Curva 1 com um arranque fulminante à Ferrari. Mas o jovem reagiu de forma decisiva, recuperando a liderança na travagem para o gancho na Volta 2, com uma ultrapassagem arrojada por fora da trajetória ideal.
A partir daí, Antonelli encontrou o seu ritmo com os pneus médios, construindo uma vantagem curta sobre Russell e os Ferrari em luta direta.
“Tenho imensas dificuldades nas partidas, as primeiras voltas foram terríveis”, admitiu Antonelli após a corrida. Mas, em ar limpo, o Mercedes mostrou-se equilibrado — e o seu piloto também.
Safety Car altera a estratégia
O momento decisivo da corrida surgiu na Volta 10, quando o Aston Martin de Lance Stroll ficou parado em pista, provocando a entrada do Safety Car. O timing forçou os líderes a antecipar a paragem, trocando os médios por pneus duros com 46 voltas ainda por cumprir.
Foi um compromisso ousado com a estratégia de uma única paragem — especialmente num circuito conhecido pelo elevado desgaste do pneu dianteiro esquerdo.
Ambos os pilotos da Mercedes geriram bem a relargada, mas atrás deles instalou-se o caos. A luta interna na Ferrari intensificou-se, pilotos do meio do pelotão chegaram a ganhar posições temporariamente e Esteban Ocon viria a receber uma penalização de 10 segundos por colisão com Franco Colapinto.
Entretanto, os problemas de fiabilidade fizeram-se sentir: ambos os McLaren não arrancaram, Gabriel Bortoleto e Alex Albon também não alinharam, Fernando Alonso abandonou e o fim de semana difícil de Max Verstappen terminou com uma desistência por problema mecânico na Volta 46.

Mercedes no controlo — mas Russell pressiona
Na fase intermédia da corrida, Russell aplicou pressão constante. Ultrapassou ambos os Ferrari numa manobra dupla decisiva e recuperou o segundo lugar a Leclerc na Volta 30, preparando um duelo direto com o seu companheiro de equipa.
Em determinados momentos, Russell reduziu a diferença, sobretudo no meio do tráfego. Mas Antonelli respondeu sempre, mantendo uma margem que oscilou entre sete e nove segundos.
Houve drama nas voltas finais quando Antonelli bloqueou as rodas e saiu largo no gancho, já com pneus bastante desgastados.
“Vamos apenas trazer o carro até ao fim”, pediu pelo rádio o engenheiro de corrida Peter Bonnington.
Foi exatamente isso que fez.
A deslizar na última curva com pouca aderência traseira, Antonelli cruzou a linha de meta com 5,5 segundos de vantagem sobre Russell — selando uma vitória perfeita de início ao fim.

Hamilton garante o primeiro pódio da Ferrari num Grande Prémio
Atrás da dominante dupla da Mercedes, Hamilton defendeu-se de um Leclerc agressivo num duelo que durou toda a corrida. A dupla trocou de posições várias vezes, lado a lado nas rápidas Curvas 1 e 2 de Xangai.
Hamilton chegou mesmo a reportar brevemente “sem potência” durante o segundo stint, mas recuperou e controlou a luta para assegurar o terceiro lugar — o seu primeiro pódio ao domingo vestido de vermelho.
Leclerc terminou em quarto, ficando muito perto do pódio.
Heróis do meio do pelotão: Bearman e Gasly brilham
Oliver Bearman deu continuidade ao seu impressionante início de 2026 com um excelente quinto lugar pela Haas, claramente o melhor entre os restantes. Pierre Gasly foi sexto pela Alpine, reforçando a trajetória ascendente da equipa com motor Mercedes.
Liam Lawson (P7) e Isack Hadjar (P8) salvaram pontos num dia difícil para a Red Bull, enquanto Carlos Sainz e Franco Colapinto fecharam o top 10 após uma batalha tensa nas voltas finais.

Uma luta pelo título a nascer na Mercedes?
As celebrações emocionadas de Antonelli — incluindo lágrimas no parc fermé — refletiram a dimensão do momento.
“Estamos apenas no início, precisamos de continuar a pressionar”, afirmou. “O George é um piloto incrível… vai ser preciso muito para o bater.”
O hino italiano ecoou em Xangai enquanto uma nova estrela se afirmava no maior palco.
Duas corridas após o arranque de 2026, a Mercedes parece renascida — e a luta entre juventude e experiência dentro da garagem das Flechas de Prata poderá muito bem definir esta temporada de Fórmula 1.
