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O Grande Prémio do Mónaco de Charles Leclerc terminou nas barreiras na curva Antony Noghès, mas o monegasco não estava com disposição para aceitar a culpa — e por um motivo muito válido. A correr na terceira posição antes de um reinício com safety car, Leclerc deslizou contra o muro e comunicou imediatamente pelo rádio para deixar a sua posição clara.
"Não vou assumir a culpa," disse ele à equipa através das comunicações.
O seu raciocínio, confirmado em detalhe aos jornalistas após a corrida, foi tão condenatório quanto alarmante: uma falha catastrófica nos travões deixou-o praticamente sem capacidade de abrandar o carro.
"Dos quatro travões, tinha três que não funcionavam," disse Leclerc. "Num carro de Fórmula 1, isso nunca é bom. O dianteiro esquerdo estava a funcionar bem, o dianteiro direito estava a funcionar a meio gás, e os dois travões traseiros não estavam a funcionar de todo. E quando digo de todo, é que nos dados não há qualquer desaceleração. É como se as pinças nem sequer estivessem no carro."
Leclerc descreveu a situação como "um pesadelo", e o seu relato deixou claro que, quando se aproximou de Antony Noghès, simplesmente não havia um desfecho seguro disponível para ele. A falha surgiu após uma intervenção do safety car e deteriorou-se rapidamente, deixando-o impotente para a gerir através de qualquer ajuste no cockpit.
"Assim que fiz o safety car, três dos meus quatro travões pararam de funcionar," explicou. "Nunca mais os consegui ativar, nada funcionava. Tentei fazer várias ações no carro para tentar ajudar. A única solução que tinha era não travar na última curva, mas teria batido na Curva 1. Simplesmente não havia solução."
Foi uma ilustração sombria da natureza implacável do Mónaco — um circuito que já tinha custado caro a Leclerc no início do fim de semana. Ele tinha-se qualificado em quarto, citando problemas contínuos de travagem durante um Q3 caótico, deixando-o frustrado mesmo antes de o dia da corrida se desenrolar completamente.
Embora a investigação sobre a causa raiz ainda esteja em curso — com o desgaste dos travões apontado por Leclerc como um fator potencial, dada a natureza historicamente punitiva do Mónaco nesse aspeto —, a Ferrari já identificou uma solução. A partir da próxima corrida, Leclerc mudará para a mesma configuração de travões atualmente utilizada pelo seu colega de equipa Lewis Hamilton.
"A única coisa que posso dizer é que temos a solução internamente, e vou passar para a configuração do Lewis a partir da próxima corrida, o que espero que seja um passo em frente," disse Leclerc.
O chefe de equipa Fred Vasseur e o vice-chefe de equipa Jerome d'Ambrosio analisaram os dados e alinharam-se no diagnóstico.
"O Fred e o Jerome viram os dados, e penso que é muito claro para todos. Não creio que haja qualquer dúvida," acrescentou Leclerc.
Questionado sobre se já tinha passado por algo semelhante, a resposta foi inequívoca: "Não, não a esse ponto. Certamente que às vezes é um pouco complicado, mas ali era simplesmente impossível fazer uma curva."
Quando pressionado sobre algum aspeto positivo do fim de semana no Mónaco, a resposta de Leclerc foi seca, mas direta: "Que terei uma solução para os travões no próximo fim de semana."
Leclerc permanece em quarto lugar no Campeonato de Pilotos com 70 pontos. Hamilton, impulsionado por um segundo lugar no Mónaco, subiu para segundo com 90 pontos.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.
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