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Pierre Gasly acredita que a Alpine tem as bases necessárias para desafiar as equipas de topo da Fórmula 1 em 2026, declarando que a estrutura de Enstone já não compete na mesma liga que há apenas um ano.
Depois de uma difícil temporada de 2025, passada claramente na retaguarda do pelotão, a Alpine encerrou o seu programa de motores e passou a utilizar unidades motrizes Mercedes, apostando cedo no desenvolvimento do monolugar de 2026. Os primeiros sinais indicam que a decisão começa a dar frutos, com a equipa a ressurgir como um verdadeiro candidato no meio do pelotão.
A evolução da Alpine tem sido visível desde as primeiras rondas. Na Austrália, Gasly levou a melhor sobre o amigo de infância que se tornou rival, Esteban Ocon, para garantir o último ponto com o 10.º lugar. Mas foi em Xangai que o francês assinou um fim de semana marcante.
Gasly qualificou-se em sétimo em ambas as sessões, superando inclusive os Red Bull. Embora a degradação excessiva dos pneus o tenha relegado para 11.º na corrida sprint, no domingo a história foi diferente. O piloto recuperou até ao sexto lugar no Grande Prémio, igualando o melhor resultado da Alpine desde o seu quinto posto no GP do Qatar de 2024.
“É definitivamente encorajador para toda a equipa ver que, em algumas sessões, podemos ser os quartos mais rápidos”, afirmou Gasly. “Obviamente está tudo muito próximo atrás de nós e a diferença para a frente, olhando para hoje, com três décimos para a McLaren… eles não estão assim tão distantes. Temos de nos focar no nosso trabalho, continuar a trazer performance e, esperemos, juntar-nos gradualmente a esse grupo da frente.”
Questionado se a China superou as expectativas após os testes de pré-temporada, Gasly admitiu: “Não vou mentir, foi um pouco melhor.”

Gasly ficou particularmente impressionado com a oscilação de rendimento da Red Bull. Em Melbourne, a equipa parecia claramente na luta, mas em Xangai o seu piloto principal, Max Verstappen, ficou a mais de um segundo da pole e foi 0,14s mais lento do que Gasly na qualificação.
“Não achamos que já estejamos nesse nível, por isso parece-me que eles deram um pequeno passo atrás este fim de semana, enquanto nós demos um passo em frente”, explicou Gasly. “De forma geral, estou bastante satisfeito com o que vi este fim de semana, porque mostra que temos potencial para estar nesse grupo.”
Ainda assim, não tem ilusões quanto ao ritmo de desenvolvimento no pelotão.
“As coisas vão evoluir muito rapidamente esta época e é importante que também evoluamos depressa — e mais depressa do que os outros — para garantir que permanecemos no comboio certo durante o resto do ano.”
Xangai poderia ter oferecido ainda mais. Gasly seguia confortavelmente em quinto, com mais de cinco segundos de vantagem sobre o colega de equipa Franco Colapinto, quando um safety car foi acionado após Lance Stroll parar em pista.
Na relargada, Oliver Bearman conseguiu ultrapassá-lo.
“Por alguma razão, não tinha potência nem boost”, explicou Gasly, incapaz de responder apesar de sentir que tinha um ritmo ligeiramente superior. Acabou por terminar em sexto, a dois segundos do Haas e com 21 segundos de vantagem sobre Liam Lawson, sétimo classificado.
“Lá no fundo, o Pierre extremamente competitivo fica um pouco irritado por não ter conseguido esse P5”, admitiu.
Ainda assim, a perspetiva ajuda a relativizar a frustração.
“Olhando para 2025, onde estávamos, e para onde estamos agora, é uma liga completamente diferente, por isso estou muito satisfeito. Fizemos um bom trabalho na qualificação, ficámos a alguns décimos da McLaren. No primeiro stint, não perdi muito terreno em comparação com a Ferrari. Ainda há muitos pequenos detalhes que precisamos de afinar e corrigir, mas não são limitações impossíveis de resolver.”
Essa convicção — de que as fragilidades do carro são geríveis e não estruturais — sustenta o seu otimismo.

Gasly insiste que Melbourne não refletiu o verdadeiro potencial da Alpine, defendendo que “se voltássemos agora a Melbourne, estaria na Q3.” Após Xangai, ocupa o sétimo lugar no campeonato de pilotos, à frente de nomes como Verstappen e Oscar Piastri.
O objetivo é claro.
“Temos algumas limitações no carro, nas quais estamos a trabalhar, e sinto que este fim de semana demos claramente um passo em frente — não com peças novas, mas por pequenos ajustes que fizemos no carro”, explicou. “Vemos que temos performance e sabemos que ainda há muito desempenho por extrair em algumas áreas com o pacote atual.”
“O objetivo é criar alguma margem para os que vêm atrás e começar a pressionar os que estão à frente, tentando juntar-nos à luta. Se será possível, não sei. Mas sei que a equipa está a trabalhar muito e que há mais novidades a caminho. Só isso já é suficiente para me entusiasmar.”
Para a Alpine, o recomeço após 2025 parece ganhar embalo. Para Gasly, os sinais são claros: a equipa já não se limita a sobreviver no meio do pelotão — está a aproximar-se da luta da frente, com 2026 firmemente no horizonte.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.
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