A carregar

António Félix da Costa montou uma defesa vigorosa da Jaguar após o E-Prix de Londres, que encerrou a temporada da Fórmula E, argumentando que as queixas da Porsche sobre a sua condução eram impossíveis de separar das táticas que a própria equipa utilizou ao longo do fim de semana.
As ordens de equipa e a condução coordenada tornaram-se centrais nas duas últimas corridas. Desde a qualificação de sábado, a Porsche tomou medidas para apoiar Pascal Wehrlein. Os pilotos com motorização Porsche foram autorizados a dar vantagem a Wehrlein na qualificação, com exceção dos carros da Andretti, enquanto Nico Müller protagonizou uma exibição defensiva empenhada em ambas as corridas.
A defesa de Müller foi contra Mitch Evans, da Jaguar, que acusou o piloto suíço de se mover durante a travagem e de travar bruscamente à sua frente. Não houve qualquer penalização. O mesmo padrão surgiu no início da corrida de domingo, levando a Jaguar a responder com uma abordagem idêntica.
Da Costa consumiu então energia em excesso para se colocar à frente de Evans, Müller e Wehrlein, antes de posicionar o seu Jaguar através do circuito e manter o alemão atrás de si. A manobra intensificou uma rivalidade já amarga entre os dois, que foram colegas de equipa na Porsche durante três temporadas antes de da Costa se mudar para a Jaguar.
O contexto mais amplo do fim de semana é abordado na nossa reportagem sobre a conquista do segundo título de Fórmula E por Pascal Wehrlein no final em Londres.
Da Costa reconheceu que a abordagem defensiva não era a forma como queria correr. No entanto, afirmou que a Porsche tinha criado efetivamente as condições para a Jaguar adotar a mesma estratégia.
"O Nico simplesmente a abrir espaços de uma forma má, e quando vi isso, disse: 'Ok, tínhamos um plano B para reagir a isso', e esse não era o nosso plano A", disse da Costa à RacingNews365. "Nós simplesmente fizemos o que eles fizeram. Sei que eles estão a dizer coisas; não ouvi nem li nada, mas, para ser sincero, só os faz parecer estúpidos. Não se pode ter as duas coisas."
Wehrlein, apesar de se ter sagrado bicampeão mundial, ficou furioso após a corrida e descreveu a condução de da Costa como "uma das coisas mais antidesportivas e injustas que já vi". Da Costa rejeitou essa avaliação, dizendo que o histórico entre ambos eliminou qualquer hesitação em defender de forma tão agressiva.
Referiu-se também ao contacto em Tóquio no mês anterior, alegando que Wehrlein o tinha eliminado deliberadamente depois de o seu próprio carro já estar danificado. Da Costa sublinhou que não recebeu qualquer penalização em Londres e acreditava ter permanecido dentro das regras e diretrizes.
O resultado foi um final que decidiu o campeonato, mas que pouco fez para arrefecer uma das rivalidades mais pessoais da Fórmula E.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.