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Uma delegação de alto nível da Argentina viajará ao Grande Prêmio de Miami com um objetivo claro: demonstrar o progresso concreto no Autódromo Oscar y Juan Gálvez e posicionar Buenos Aires para um possível retorno ao calendário da Fórmula 1.
Com as obras de reestruturação já em andamento no histórico circuito, autoridades da cidade e a promotora local Grupo OSD preparam-se para se reunir com executivos da Liberty Media a fim de reforçar sua ambição — e prontidão — caso surja uma oportunidade já em 2027.
O governo da cidade de Buenos Aires, juntamente com o Grupo OSD, realizará no próximo mês, em Miami, reuniões com a Liberty Media, detentora dos direitos comerciais da Fórmula 1. O objetivo é apresentar os avanços obtidos desde que o projeto foi apresentado pela primeira vez aos dirigentes da F1 no Grande Prêmio de Miami do ano passado.
“Estamos cumprindo todos os requisitos que eles nos estabeleceram, em todos os aspectos — desde as questões formais até a parte técnica e operacional, trabalhando com nosso grupo de consultoria, a Tilke, que foi especificamente recomendada pela Liberty”, afirmou o secretário de Esportes de Buenos Aires, Fabián Turnes, ao Motorsport.com.
Segundo Turnes, a diferença em relação a um ano atrás é significativa.
“Nossa primeira reunião com eles aconteceu há um ano, em Miami. Desde então, houve avanços importantes, e é fundamental que tenhamos cumprido as etapas às quais nos comprometemos. Agora podemos mostrar algo concreto: o circuito está em obras. Já não é apenas uma ambição — muito pelo contrário.”
A expectativa é que as obras no Autódromo de Buenos Aires sejam concluídas até dezembro.
O plano de reestruturação está organizado em duas fases. A primeira foi pensada para receber a MotoGP no início do próximo ano, enquanto a segunda etapa foca na adaptação do circuito para a Fórmula 1.
Para a F1, o traçado seria ampliado para quase 5 km, em comparação com a configuração de 4,3 km prevista para a MotoGP. No entanto, as autoridades avaliam atualmente antecipar elementos-chave da extensão para a Fórmula 1 — especialmente o hairpin ampliado — a fim de fortalecer sua posição em Miami.
“A extensão para a Fórmula 1 não estava incluída na primeira fase. Na semana passada, discutimos se, por razões estratégicas, faria sentido incorporá-la já na primeira fase, em vez de deixá-la para a segunda, considerando a reunião que teremos em Miami — e para irmos até lá com algo concreto, ou seja, com a garantia de que estará concluída. É uma decisão que tomaremos nos próximos dias, antes de Miami”, explicou Turnes.
O circuito já solicitou a homologação Grau 1, restando apenas uma pequena modificação em fase final. Como resumiu Turnes: “Estamos cumprindo cada uma dessas etapas.”
Buenos Aires está atenta ao fato de que vários contratos do atual calendário da Fórmula 1 estão se aproximando do fim, e que já houve rodízio entre sedes. O contexto global mais amplo também pode influenciar possíveis vagas no calendário.
“Sabemos que diversos contratos do atual calendário da Fórmula 1 estão chegando ao fim. Já houve alguma rotatividade entre as sedes. E há também o contexto global, que pode eventualmente abrir uma janela”, disse Turnes, referindo-se ao conflito no Oriente Médio que já levou ao cancelamento das corridas de abril no Bahrein e na Arábia Saudita.
“Claro que seria lamentável que uma oportunidade surgisse por causa disso. Mas, nesse cenário, poderia acabar representando uma chance. Provavelmente saberemos mais no fim do ano, por volta do Grande Prêmio do Catar. Se a situação continuar, pode se abrir uma janela, já que algumas dessas datas podem sair do calendário em 2027 devido ao conflito.”
Ainda assim, Turnes reconhece que 2027 pode ser um objetivo ambicioso.
“É difícil definir uma data. Gostaríamos de ter uma janela clara, porque isso é importante. Pessoalmente, se a situação não mudar, vejo 2027 como mais desafiador. Mas 2028 não parece tão distante — e, quando pensamos bem, está logo ali.”
A última vez que a Fórmula 1 correu na Argentina foi em 1998.
Um elemento adicional — e potencialmente decisivo — no renovado esforço da Argentina é a presença de Franco Colapinto na Fórmula 1. Desde sua estreia em agosto de 2024 pela Williams, antes de se transferir para a Alpine no ano passado, o jovem piloto tem despertado grande interesse e apoio nacional.
Nas próximas semanas, Colapinto deve realizar uma exibição com um carro de Fórmula 1 nas ruas de Buenos Aires. O momento — antes do Grande Prêmio de Miami — é considerado estrategicamente vantajoso.
“Desde que começamos a trabalhar nisso, a visita do Franco sempre foi planejada para antes ou depois de Miami. A pausa no calendário nos deu a oportunidade de realizá-la antes de Miami, o que, do ponto de vista estratégico, joga a nosso favor.”
Turnes acredita que a combinação de obras visíveis e uma forte demonstração pública pode reforçar o pleito argentino.
“Talvez essa decisão — sobre a construção do hairpin ampliado para a Fórmula 1 — junto com o que está por vir com o Franco, acrescente mais uma peça ao quebra-cabeça. A imagem será a da paixão da Argentina pela Fórmula 1.”
Com a infraestrutura avançando, o processo de homologação em andamento e o entusiasmo popular em alta, Buenos Aires se prepara para se apresentar não apenas como uma candidata ambiciosa — mas como um circuito determinado a estar pronto quando surgir a próxima oportunidade na Fórmula 1.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.
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