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Felipe Drugovich acredita que o carro Gen4 da próxima geração da Fórmula E representa um verdadeiro divisor de águas para a categoria totalmente elétrica — mas o piloto da Andretti insiste que um elemento crucial ainda falta: pneus slick.
A máquina Gen4 já gerou um entusiasmo considerável desde a sua revelação no final do ano passado. Com uma potência máxima de 600kW (805cv) e tração integral permanente, espera-se que o novo carro seja mais rápido do que os atuais monolugares da Fórmula 2 e reduza significativamente a diferença para o ritmo da Fórmula 1. É, por qualquer medida, uma revisão técnica abrangente para um campeonato que sempre teve de trabalhar arduamente para afirmar a sua credibilidade no panorama principal do automobilismo.
Drugovich, que traz uma referência invulgarmente ampla para a Fórmula E, tendo acumulado experiência através de testes na F1 e corridas de resistência com o programa LMDh da Cadillac, não tem dúvidas sobre a importância da era Gen4. No entanto, o seu apoio vem com uma condição clara.

"Penso que é algo de que a Fórmula E precisava realmente", disse o brasileiro ao Motorsport.com. "A qualificação vai mudar muito. O carro vai tornar-se muito mais rápido. Penso que o simples espetáculo de ver esses carros a acelerar pelo circuito vai ser muito mais agradável. Por isso, é algo de que a Fórmula E precisa."
Mas para Drugovich, a questão dos pneus continua a ser o elefante na sala. "Penso que a única coisa de que realmente precisa neste momento são pneus slick. Os fãs, até ao momento em que não virem um pneu slick no carro, não o vão considerar um verdadeiro carro de fórmula. Alguns deles [pelo menos], algumas pessoas já o fazem. Por isso, penso que assim que os tivermos, então estará completo."
É uma observação pertinente. O pneu com ranhuras tem sido uma constante na Fórmula E desde o início do campeonato em 2014, adotado como parte do compromisso da série com a sustentabilidade — especificamente para reduzir o número de pneus consumidos durante um fim de semana de corrida, através da utilização de um composto único para todas as condições, capaz de funcionar tanto em piso seco como molhado.

No entanto, a era Gen4 já marca um afastamento dessa filosofia. Com a Bridgestone agora instalada como fornecedora oficial de pneus, a Fórmula E introduzirá dois compostos distintos pela primeira vez: um pneu principal de alto desempenho para condições de seco e um pneu dedicado de 'monção' para condições meteorológicas extremas — espelhando a estrutura utilizada na maioria das principais categorias de automobilismo. O senão é que mesmo o novo pneu para piso seco manterá as suas ranhuras.
Para Drugovich, essa mudança de filosofia torna o argumento para uma transição total para slicks ainda mais convincente. Se o conceito de pneu único já está a ser abandonado, o próximo passo lógico parece óbvio.
"Penso que é isso que todos querem usar", disse ele. "Obviamente, existe toda a parte ecológica do campeonato que não quer trazer mil pneus para o fim de semana de corrida. Mas, ao mesmo tempo, no próximo ano, já vamos ter dois tipos de pneus. Então, por que não ter o de seco como slick? Por isso, é bastante interessante. É o que é."
Com a Fórmula E preparada para uma histórica jornada dupla no Mónaco em maio de 2026 — exatamente o tipo de montra de alto nível onde as credenciais de desempenho do Gen4 estarão sob os holofotes — a pressão para apresentar um produto que pareça e se sinta como automobilismo de elite nunca foi tão grande. É improvável que o debate sobre os pneus slick desapareça.

Apesar da sua posição clara sobre os pneus, Drugovich tem o cuidado de não diminuir o que o carro Gen4 já representa. O brasileiro é pragmático: o principal ganho de desempenho já está garantido, e isso é o que mais importa.
"Penso que o passo principal já foi dado. Sabem, o carro vai tornar-se muito mais rápido. Por isso, esse é o grande ponto positivo", disse ele, antes de acrescentar: "Pelo que as simulações dizem, esse Gen4 já é um carro muito rápido e, com slicks, vai ser bastante impressionante."
Questionado sobre se uma mudança para slicks poderia realisticamente acontecer mais à frente, Drugovich mostrou-se cautelosamente otimista. "Sim, espero que esse seja o plano. Penso que seria bastante agradável."
O sentimento reflete uma frustração mais ampla que tem surgido em todo o paddock da Fórmula E nas últimas temporadas. O E-Prix de Berlim sublinhou como a série ainda luta com a sua identidade em pista — e para muitos dentro do campeonato, o simbolismo visual e de desempenho de um pneu slick continua a ser o sinal mais claro de que a Fórmula E leva o negócio a sério.
Para Drugovich, o carro Gen4 é a base. Os slicks, quando finalmente chegarem, seriam o toque final.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.
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