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Carlos Sainz afirma que a sua decisão de permitir à Netflix um acesso invulgarmente próximo à sua vida privada durante os primeiros tempos da série Drive to Survive da Fórmula 1 revelou-se "decisiva" tanto para o seu próprio perfil como para a expansão do desporto.
Em conversa com o cofundador do The Race, Darren Cox, no painel "Sports, Sound and the Latino Fan" do Axios x The Race no Cannes Lions, o piloto da Williams recordou como ele e a sua equipa de gestão avaliaram os riscos quando o projeto documental chegou ao paddock em 2018.
"Analisei a situação com a minha equipa de gestão e disse: 'Olhem, isto pode ser algo que muda o jogo, por isso vamos dar acesso à Netflix, pelo menos no primeiro ano, até vermos como isto corre'", contou Sainz.
Essa escolha não foi simples. Sainz descreveu-se como sendo "muito reservado" e admitiu que se sentia desconfortável com o facto de as câmaras seguirem momentos que envolviam a sua família e discussões contratuais. Ainda assim, permitiu que as equipas de filmagem entrassem na sua casa em Maiorca, onde foram gravadas cenas com a sua família.
Assim que a primeira temporada foi transmitida, Sainz disse que o efeito foi imediato. "Acho que ganhei 500.000 seguidores em duas semanas", afirmou. "Pensei: 'OK, todo este tempo e esforço que dediquei a dar talvez demasiada exposição para o meu gosto às câmaras, está a compensar e vale a pena'."
Para Sainz, a ascensão da série surgiu a par da transformação mais ampla da Fórmula 1 sob a égide da Liberty Media, com o ímpeto a acelerar durante o período da COVID, à medida que novos públicos descobriam o programa. O piloto apontou Austin como um marco claro dessa mudança, contrastando as visitas anteriores com as multidões que encontrou mais tarde, após o boom da Netflix.
Essa evolução também mudou a forma como os pilotos se viam a si próprios. Sainz disse que passaram a compreender que já não eram apenas concorrentes, mas também figuras públicas com marcas para gerir. "Agora, não sou apenas um piloto de Fórmula 1, também preciso de ter cuidado com a minha marca, com as pessoas com quem me associo", disse.
Os comentários surgem com Sainz atualmente na Williams, onde o seu desafio desportivo atual também tem estado sob escrutínio, incluindo o seu aviso de que a Williams continua ‘muito longe’ dos seus objetivos para 2026.
Sainz também aproveitou o painel para promover o próximo Grande Prémio de Espanha em Madrid e o novo circuito de Madring, destacando o que os organizadores esperam que se torne um ponto forte fundamental: o acesso a partir do centro da cidade.
O piloto nascido em Madrid disse que testou pessoalmente o percurso de metro. "Fiz o teste para todos os fãs", disse, comparando-o com a dependência da Fórmula 1 em relação às simulações. "Na F1, adoramos simulações. Fiz uma simulação e demorei oito minutos de porta a porta."
Para Sainz, o ponto era simples: um grande prémio acessível por transportes públicos em poucos minutos pode tornar-se uma das vantagens determinantes de Madrid.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.
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