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Para qualquer brasileiro que chega à Fórmula 1, o fantasma de Ayrton Senna é inescapável. Para Gabriel Bortoleto, a pressão é ainda mais intensa — natural de São Paulo, o primeiro brasileiro a tempo inteiro na grelha desde Felipe Massa em 2017, ele carrega as esperanças de uma nação que aguarda pelo seu próximo campeão há décadas.
Bortoleto está na sua segunda temporada na F1, em parceria com a Audi, enquanto o fabricante alemão tenta subir do meio da tabela para o topo do automobilismo mundial. O campeão da FIA F2 de 2024 — cuja ascensão pelas categorias de base, incluindo a série de acesso que conquistou a caminho da F1, captou atenções generalizadas — enfrenta agora um desafio que vai muito além do técnico. As comparações com Senna, que faleceu em 1994, uma década antes de Bortoleto nascer, são simultaneamente uma honra e um fardo.
"O Senna é o maior de todos os tempos, por isso ter o meu nome na mesma frase que ele já é algo muito grande," disse Bortoleto numa entrevista exclusiva. "Sou brasileiro, ele é o meu ídolo, li sobre ele, vi vídeos dele e estou extremamente grato por isso, mas por vezes é difícil ser comparado a alguém que venceu tanto quando se está no início da carreira."
O jovem piloto reconhece a dualidade da situação com uma maturidade que contrasta com a sua limitada experiência na F1. O legado de Senna atrai um escrutínio enorme — cada resultado, cada volta de qualificação, cada momento roda a roda é filtrado pela lente de um tricampeão mundial. As expectativas de todo um país acompanham Bortoleto em cada fim de semana de corrida.
"Existem muitos pontos positivos e negativos nisso, e quando não se vence, as pessoas podem ser muito duras, mas há muitas pessoas que apoiam no Brasil — temos as pessoas mais solidárias," acrescentou.
Em última análise, a ambição de Bortoleto é clara: ele quer ser julgado pelos seus próprios méritos. O objetivo não é simplesmente corresponder a uma comparação, mas tornar o debate irrelevante através do peso das suas próprias conquistas.
"Por isso, espero que daqui a 10 ou 15 anos estejamos aqui a falar novamente, eu e tu, e sejamos capazes de dizer algo e se foi válido comparar-me a ele," disse. "O que vos posso dizer é que vou trabalhar todos os dias para ser o melhor piloto que puder e criar a minha própria história, e para deixar o meu país orgulhoso de mim, porque é isso que importa."
A motivação, insiste ele, vai mais fundo do que a glória pessoal. Bortoleto fala sobre querer dar aos fãs brasileiros um motivo para se reunirem nas manhãs de domingo — o tipo de ritual partilhado e alegre que ele vivenciou ao ver corridas com o seu próprio pai.
"Quero trazer felicidade ao meu país, quero fazê-los acordar num domingo de manhã e ver uma corrida com as suas famílias, e ter as mesmas memórias que tive com o meu pai quando era mais novo. Não vi o Senna, mas vi outros pilotos a vencer corridas, e tenho essas ótimas memórias na vida que gostaria de poder dar às crianças no Brasil."
Para um piloto ainda nos capítulos iniciais da sua carreira na F1, é uma declaração de intenções que vai muito além dos tempos por volta.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.
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