
A carregar

Depois de uma abertura de temporada eletrizante em Melbourne, a Fórmula 1 não perdeu tempo a elevar a fasquia. Xangai recebeu o primeiro fim de semana Sprint de 2026 e houve espetáculo em todas as frentes: ritmo puro da Mercedes, duelos intensos roda a roda com a Ferrari, afirmações no pelotão intermédio – e uma vitória histórica de um jovem de 19 anos a reescrever os livros de recordes.
Estes foram os momentos decisivos do fim de semana do Grande Prémio da China de 2026.

A segunda ronda parecia inicialmente encaminhar-se para um desfecho previsível. George Russell estabeleceu a referência na única sessão de treinos livres de sexta-feira e converteu a pole position em vitória na Sprint de sábado, sublinhando a força do pacote da Mercedes no arranque da temporada.
Para Kimi Antonelli, no entanto, a Sprint foi bem mais complicada. Uma má partida fê-lo perder posições e uma colisão com o Red Bull de Isack Hadjar valeu-lhe uma penalização de 10 segundos. Cruzou a meta em quinto lugar – uma recuperação sólida, mas longe de antecipar o que estava para vir.
A tarde de sábado marcou uma viragem. Antonelli conquistou de forma brilhante a sua primeira pole position num Grande Prémio, tornando-se o piloto mais jovem de sempre a partir da pole na Fórmula 1.

A corrida de domingo trouxe outro desafio. O Ferrari de Lewis Hamilton, muito eficaz na largada, assumiu a liderança no arranque, mas Antonelli reagiu e recuperou a posição até chegar ao P1. A partir daí, controlou os acontecimentos, apesar de alguns bloqueios de travagem nas voltas finais que ameaçaram complicar a sua tarefa.
A bandeira de xadrez confirmou um feito notável: a primeira vitória de Antonelli na Fórmula 1, tornando-o no segundo vencedor mais jovem da história da modalidade e liderando uma dobradinha dominante da Mercedes, com Russell em segundo.
A emoção era evidente. Em lágrimas após a corrida, Antonelli confessou estar “sem palavras” e agradeceu à equipa por o ajudar a “alcançar este sonho”.

Embora a Mercedes tenha demonstrado vantagem em ritmo puro – sobretudo na Qualificação – a Ferrari garantiu que as Flechas de Prata não pudessem relaxar.
Ao abrigo dos novos regulamentos da Fórmula 1, a Ferrari tem mostrado arranques muito fortes, uma característica já visível na Austrália e repetida ao longo do fim de semana Sprint em Xangai. Apesar de a Mercedes ter monopolizado a primeira linha da grelha nas duas sessões decisivas, perdeu essa vantagem no arranque de ambas as corridas.
As primeiras voltas de domingo foram um verdadeiro espetáculo. Hamilton, Charles Leclerc, Russell e Antonelli trocaram posições nas curvas rápidas do Circuito Internacional de Xangai, numa sequência de batalhas intensas, mas limpas.

Apesar de Antonelli ter assegurado a vitória, a Ferrari mostrou que continua a ser uma ameaça constante.
Depois de perder terreno para os Mercedes, Hamilton e Leclerc envolveram-se na luta pelo último lugar do pódio. O heptacampeão mundial levou a melhor, garantindo o seu primeiro pódio num Grande Prémio ao volante da Ferrari.
“Diverti-me imenso,” afirmou Hamilton ao sair do carro. “Tivemos um excelente arranque. Não consegui manter estes rapazes [Mercedes] atrás, mas continuar na luta…
Foi uma das corridas mais divertidas que tive em muito, muito tempo, pelo facto de os carros estarem como estão este ano. A batalha com o Charles no final foi fantástica – grande luta roda a roda, muito limpa e exatamente o que queremos.”

Em claro contraste, a campeã mundial em título, McLaren, viveu uma tarde desastrosa.
Nem Lando Norris nem Oscar Piastri alinharam no Grande Prémio de domingo devido a problemas técnicos nos seus MCL40. Norris nem sequer conseguiu sair das boxes, com a equipa a reportar “um problema que não nos permite sequer ligar o carro.”
Piastri chegou à grelha, mas foi empurrado de volta para as boxes antes da volta de formação devido a uma falha elétrica na unidade de potência – distinta do problema de Norris. Foi o segundo Grande Prémio consecutivo sem largar para o australiano, após o acidente na volta de reconhecimento em Melbourne.
“Foi um problema elétrico na unidade de potência, diferente do do Lando,” explicou Piastri. “É muito azar termos ambos problemas, mas neste momento não sabemos muito mais do que isso.”
O revés foi particularmente doloroso, tendo em conta que ambos tinham qualificado na terceira fila e somado pontos importantes na Sprint de sábado.

Xangai expôs dificuldades claras para a Red Bull.
Max Verstappen teve um fim de semana sem pontos, com a equipa a revelar falta de ritmo face aos líderes. Tanto ele como Isack Hadjar partiram para a Sprint e para o Grande Prémio de P8 e P10, respetivamente, mas arranques pouco conseguidos fizeram Verstappen cair para o fundo do pelotão na primeira volta de ambas as corridas.
Recuperou até P9 na Sprint, mas terminou fora dos pontos. No Grande Prémio, Verstappen subiu até P6 antes de um problema de arrefecimento do ERS forçar o abandono a 10 voltas do fim.
“Há muito a aprender,” admitiu Verstappen. “Não é, de todo, onde queremos estar, claro, mas também sei que a equipa está a dar tudo, por isso é frustrante para mim, mas também para eles.”
Hadjar conseguiu salvar algum aspeto positivo ao terminar em oitavo no domingo, apesar de um pião a alta velocidade na volta inicial.
“Não estava à espera,” disse Hadjar. “A traseira soltou-se muito rapidamente, e é uma pena porque tínhamos feito um bom arranque.”

Longe da batalha principal, a disputa no pelotão intermédio intensificou-se.
Ollie Bearman alcançou um impressionante quinto lugar para a Haas, com Pierre Gasly logo atrás, em sexto, pela Alpine. Ambos estiveram em destaque ao longo do fim de semana, chegando à SQ3 na sexta-feira e à Q3 no sábado.
Gasly ficou por pouco fora dos pontos na Sprint, enquanto Bearman garantiu o oitavo lugar. No Grande Prémio de domingo, os dois rodaram praticamente colados, com Bearman a afirmar-se como o melhor do resto atrás do quarteto Mercedes-Ferrari, e Gasly a apenas dois segundos na bandeira de xadrez.

Com ambos também a pontuarem na Austrália, Bearman ocupa agora o quinto lugar no Campeonato de Pilotos e Gasly o sétimo. A evolução da Alpine, depois de ter sido a equipa mais lenta em 2025, é notável, enquanto a Haas parece ter assumido a dianteira na luta do pelotão intermédio.
As expectativas de pré-temporada apontavam para uma diferença considerável entre as quatro equipas da frente e o resto sob os novos regulamentos. As primeiras evidências sugerem o contrário.

A campanha de 2026 da F1 ACADEMY também teve início na China.
Nina Gademan, da Alpine, começou a temporada com uma vitória na corrida de sábado, liderando desde a pole na prova com grelha invertida, apesar de um Safety Car tardio que reduziu a sua vantagem para apenas seis décimos sobre Natalia Granada (Sephora) e Emma Felbermayr, da Audi.
Felbermayr respondeu na Corrida 2, conquistando a vitória e saindo de Xangai na liderança do Campeonato.
Alba Larsen, da Ferrari, controlou inicialmente a segunda corrida de domingo após ultrapassar Alisha Palmowski (Red Bull) no arranque. No entanto, um Safety Car nas voltas finais proporcionou uma relargada dramática, e um momento de sobreviragem atirou Larsen para a gravilha, custando-lhe o triunfo.
Felbermayr aproveitou para garantir o seu segundo pódio do fim de semana e a vitória, terminando à frente de Palmowski, enquanto Payton Westcott (Mercedes) completou o pódio.
Entre conquistas históricas, desilusões técnicas e um pelotão intermédio cada vez mais competitivo, Xangai confirmou que a temporada de 2026 está a ganhar ritmo a grande velocidade.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.
Quer adicionar um comentário? Baixe nosso aplicativo para participar da conversa!
Comentários
Nenhum comentário ainda
Seja o primeiro a compartilhar seus pensamentos!