A carregar

O antigo engenheiro de corrida da Ferrari e da Williams, Rob Smedley, revelou que foi recentemente contactado para assumir cargos de chefe de equipa na Fórmula 1, mas decidiu não aceitar nenhum deles.
Durante o podcast High Performance Racing, ao lado do antigo diretor da Alpine, Otmar Szafnauer, e do apresentador Jake Humphrey, Smedley explicou que a sua decisão foi motivada pelo equilíbrio entre responsabilidade e controlo no topo de uma organização de F1.
A conversa centrou-se na saída de Szafnauer da Aston Martin, onde a chegada de Martin Whitmarsh como diretor-executivo do grupo retirou, na prática, grande parte da autoridade de Szafnauer. Smedley afirmou que teria tomado a mesma decisão nessas circunstâncias: «Bom, se não posso fazer tudo, então não vou fazê-lo.»
Os comentários de Smedley estão em linha com a própria reflexão de Szafnauer sobre um possível regresso à Fórmula 1, abordada nesta reportagem relacionada sobre as suas opções para um futuro cargo de liderança.
Smedley afirmou que figuras experientes como ele e Szafnauer continuam a receber propostas para cargos de elevada responsabilidade, incluindo funções de chefe de equipa. No entanto, defendeu que a estrutura do cargo pode torná-lo pouco atrativo quando a autoridade não abrange toda a operação.
«Penso que o chefe de equipa é responsável por tudo. E não é apenas responsável perante a equipa; também tem responsabilidade pública», afirmou.
O chefe de equipa é o rosto público da organização quando os resultados ficam aquém das expectativas. Ainda assim, segundo Smedley, esse líder pode controlar apenas 20% ou 30% da equipa, continuando a responder pelos restantes 70%.
«Se tem o seu nome na porta, é responsável perante o público», acrescentou. «Mas espere lá: só consigo controlar cerca de 20% ou 30% da equipa. E os outros 70%? Continuo a ter de me apresentar e responder por isso. Não faz sentido nenhum.»
Smedley sublinhou que não é contra cargos sujeitos a uma pressão intensa. Na sua perspetiva, a responsabilidade é totalmente justificada quando a pessoa no comando tem controlo real sobre o desempenho da equipa.
«Quando as coisas correm mal, é justo que seja você a pagar o preço», afirmou, acrescentando que não tem qualquer problema em sair, demitir-se ou ser despedido publicamente quando tudo está genuinamente «sob a sua responsabilidade».
A sua objeção é mais específica, mas fundamental: aceitar responsabilidade por áreas que não pode controlar. Para Smedley, a autoridade para tomar decisões tem de corresponder à responsabilidade associada ao cargo.

Ele é um engenheiro de software apaixonado pela Fórmula 1 e pelo automobilismo. Ele cofundou a Formula Live Pulse para tornar a telemetria ao vivo e as informações sobre as corridas acessíveis, visuais e fáceis de acompanhar.